Como começar e terminar a redação: o guia dos tipos de texto do vestibular
    ENEM e Vestibulares
    17 de outubro de 2026 4 min de leitura

    Como começar e terminar a redação: o guia dos tipos de texto do vestibular

    Começar a redação e encontrar um bom fechamento estão entre as maiores dificuldades de quem se prepara para o vestibular. A folha em branco assusta, e na hora de concluir parece que tudo já foi dito.

    Boa parte dessa dificuldade some quando você entende a estrutura do tipo de texto que está sendo pedido. Ao longo da escola, a gente aprende vários gêneros, mas os vestibulares costumam cobrar só alguns. Neste guia você vê quais são, como cada um começa e termina, e dicas práticas para a introdução e a conclusão.

    Ilustração de uma porta se abrindo para um caminho de folhas de papel iluminado em verde

    Dissertação

    Na dissertação, você lê a proposta e escreve um texto defendendo um ponto de vista sobre o tema. Se o tema for o desmatamento da Amazônia, por exemplo, você pode discutir causas e consequências que considera mais relevantes. Como esse formato avalia a capacidade de argumentar, ele é o mais cobrado nos vestibulares, incluindo o ENEM e a Fuvest.

    A estrutura da dissertação

    O texto se divide em três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão.

    • Introdução: apresenta o tema e o seu ponto de vista (a tese).
    • Desenvolvimento: a partir do segundo parágrafo, traz os argumentos, fatos e informações que sustentam a tese.
    • Conclusão: fecha o texto retomando a ideia central, sem trazer argumentos novos.

    Sobre a linguagem, alguns cuidados:

    • Prefira a terceira pessoa. A dissertação é um texto de opinião, mas a opinião aparece pelos argumentos, não por expressões como "eu acho" ou "na minha opinião".
    • Use linguagem formal e objetiva. O sentido figurado combina mais com textos literários.
    • Prefira períodos curtos e bem construídos. Frases longas não são proibidas, mas aumentam o risco de confusão.

    Como começar: a introdução

    Uma introdução que funciona costuma ter três elementos:

    • Contextualização: uma frase que situa o tema. Pode ser um dado, um fato histórico, uma referência a uma obra ou a uma ideia de um pensador.
    • Tese: o seu posicionamento sobre o problema, de forma clara.
    • Anúncio dos argumentos: uma menção rápida aos dois caminhos que você vai desenvolver nos parágrafos seguintes.

    Com esse "roteiro", a introdução deixa de ser um bloqueio e vira um mapa do seu texto. Se travar na hora de começar, veja também o que fazer quando você tem dificuldade para começar a redação.

    Como terminar: a conclusão

    Na maioria dos vestibulares, a conclusão retoma a tese e fecha o raciocínio, sem abrir discussões novas. No ENEM, há uma exigência a mais: a conclusão deve trazer uma proposta de intervenção para o problema discutido, respeitando os direitos humanos.

    Uma proposta de intervenção completa costuma responder a cinco perguntas: quem vai agir (agente), o que vai ser feito (ação), como vai ser feito (meio ou modo), para quê (finalidade ou efeito) e um detalhamento de algum desses elementos (fonte: Cartilha do Participante da Redação do ENEM, publicada pelo Inep). Os temas do ENEM costumam tratar de questões de ordem social, científica, cultural ou política, então pense em agentes e ações que realmente tenham relação com o problema.

    Para entender o que é avaliado em cada parte do texto, leia também as 5 competências da redação do ENEM.

    Artigo de opinião

    No artigo de opinião, você também defende um ponto de vista, mas pode usar a primeira pessoa do singular ou do plural. O objetivo é convencer o leitor, com argumentos fortes baseados em fatos e informações.

    • Apresente o tema de forma objetiva já no início.
    • Pense nos argumentos antes de começar a escrever.
    • Ligue os argumentos entre si, por exemplo, causas em um parágrafo e consequências no seguinte.
    • Termine de forma firme e convicta, sem "achismos".
    • Escolha um título interessante, que desperte a curiosidade do leitor.

    Carta argumentativa

    Ilustração de uma corrente de elos geométricos terminando em um nó verde que fecha o ciclo

    Na carta argumentativa, a estrutura é o que define o gênero. Ela começa com local e data e, em seguida, com o vocativo, ou seja, a quem a carta se dirige. Se a proposta pedir uma carta a uma autoridade, por exemplo, o vocativo deve usar o tratamento adequado ao cargo. No final, entram a despedida e a assinatura, seguindo as instruções da proposta. Esse gênero já foi cobrado em vestibulares como o da Unicamp, então vale incluí-lo no seu treino.

    Narração

    A narração é o gênero mais livre, mas exige imaginação e cuidado. A estrutura básica é: apresentação do cenário e dos personagens, desenvolvimento da história, clímax e desfecho. O narrador tem papel central: ele pode ser observador, onisciente (sabe tudo o que acontece e comenta os fatos) ou personagem. O avaliador olha para o enredo, a construção dos personagens e o uso da língua. Ler bons textos narrativos ajuda muito a chegar preparado.

    Agora que você conhece a estrutura de cada tipo de texto, o próximo passo é praticar. A vitrine de materiais gratuitos do Kuadro reúne propostas de redação, questões e aulas para você treinar.

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