
Quando usar ou não usar a vírgula: guia prático para a redação
Usar bem a vírgula faz diferença na redação do vestibular. Ela marca pequenas pausas, separa elementos dentro de uma frase e dá ritmo à leitura. No ENEM, a Competência 1 avalia o domínio da modalidade escrita formal da língua, e a pontuação faz parte disso (fonte: Cartilha do Participante da redação, publicada pelo Inep).
Um bom ponto de partida: quando a frase está na ordem direta, ou seja, com sujeito, verbo, complementos e adjunto adverbial nessa sequência, normalmente não é preciso usar vírgula.
A ordem direta, na prática
Veja o exemplo: "Eu vou viajar amanhã." Temos o sujeito (eu), o verbo (vou viajar) e o adjunto adverbial de tempo (amanhã), exatamente nessa ordem. Nenhuma vírgula é necessária.
Quando essa ordem é quebrada ou quando aparecem elementos explicativos no meio da frase, a vírgula entra em cena.
Quando usar a vírgula
Para separar termos de uma enumeração
"Eu comprei frutas, verduras e legumes."
Para marcar o adjunto adverbial deslocado para o início da frase
"Depois das cinco horas, todos já devem estar em casa."
Quando o adjunto adverbial antecipado é curto, como "hoje" ou "aqui", a vírgula é opcional. Quando é longo, use a vírgula para deixar a leitura mais clara.
Para isolar o adjunto adverbial intercalado
"O filme, por causa da longa duração, teve pouco público."
Para isolar conjunções deslocadas
Conjunções como "portanto", "porém" e "contudo", quando aparecem no meio da oração, ficam entre vírgulas: "Maria estudou bastante; conseguiu, portanto, uma boa nota."
Antes de orações coordenadas adversativas
"Estudei muito, mas a prova foi difícil."
Para isolar expressões explicativas e corretivas
"Ele adorava correr, ou seja, amava o atletismo." e "A inflação, isto é, a alta generalizada dos preços, reduz o poder de compra."
Para separar o nome do lugar da data
"São Paulo, 10 de março."
Para marcar o objeto pleonástico antecipado
"Aos alunos, não lhes disseram nada."
Para marcar a omissão de um verbo (zeugma)
"Eu prefiro filmes; meu irmão, séries." Aqui, a vírgula substitui o verbo "prefere", que ficou subentendido.
Para isolar o aposto explicativo
"Gregório de Matos, poeta do Barroco brasileiro, ficou conhecido pelos poemas satíricos."
Para isolar o vocativo
"João, não faça mais isso!" e "Pessoal, nada de bagunça enquanto eu estiver fora."
Para isolar orações adjetivas explicativas
"Os candidatos, que chegaram cedo, fizeram a prova com calma." Com vírgulas, a frase diz que todos os candidatos chegaram cedo. Sem vírgulas ("Os candidatos que chegaram cedo fizeram a prova com calma"), ela se refere só a uma parte deles. Uma vírgula muda o sentido.
Para separar orações adverbiais antepostas
"Ao chegar à escola, percebi a movimentação."
Quando não usar a vírgula
Entre o sujeito e o predicado
"Maria está se preparando para a prova." Isso vale mesmo quando o sujeito é longo: "Os candidatos que chegaram atrasados não puderam entrar."
Entre o verbo e seus complementos
"Os professores entregaram as provas aos alunos."
Entre o nome e seu complemento ou adjunto
"Camila tem muito amor à mãe." e "Vera é um amor de mãe."
Antes de orações subordinadas substantivas e consecutivas
"É essencial que você chegue cedo." e "A tempestade estava tão forte que derrubou a árvore."
Como treinar
A melhor forma de fixar essas regras é revisar os seus próprios textos procurando cada caso. Releia a redação uma vez só para checar a pontuação: veja se não há vírgula separando sujeito e verbo e se os apostos, vocativos e expressões explicativas estão isolados.
Para praticar com propostas e materiais de redação, acesse a vitrine de materiais gratuitos do Kuadro. E, para organizar o texto como um todo, confira o nosso passo a passo para se dar bem na redação do ENEM.
As regras deste guia seguem a gramática normativa do português, como descrita na Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, no capítulo sobre pontuação.


