
Entenda a cabeça do corretor do ENEM: o que ele procura em cada competência
Tem muito texto por aí prometendo a fórmula para tirar 1.000 na redação. Mas quase nenhum começa pelo que realmente importa: entender como pensa quem vai ler o seu texto. Pense numa entrevista de emprego: você se prepara para as perguntas que podem aparecer, certo? Na redação do ENEM é igual. Quanto melhor você entende o que o corretor procura, menos você escreve no escuro.
E o melhor: isso não é segredo. O corretor segue uma grade pública, publicada pelo Inep na Cartilha do Participante. Ela divide a redação em cinco competências, cada uma valendo até 200 pontos, e cada texto é lido por dois corretores, de forma independente. Quando as notas dos dois ficam muito distantes, um terceiro corretor entra para resolver a diferença.
Competência 1: domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa
Muita gente acha que esta é a competência mais importante. Ela vale exatamente o mesmo que as outras. O corretor olha aqui se você escreve de acordo com a norma-padrão e se evita marcas de oralidade, aquelas expressões que funcionam na conversa, mas não num texto formal.
Os tropeços mais comuns costumam estar em crase, uso da vírgula, concordância verbal e nominal, regência e uso das aspas. A melhor forma de evoluir é combinar leitura frequente com revisão de gramática focada nesses pontos. Se a vírgula é o seu ponto fraco, este guia prático de vírgula ajuda.
Competência 2: compreender a proposta e desenvolver o tema
Aqui o corretor quer saber se você entendeu o que foi pedido, se respeitou a estrutura do texto dissertativo-argumentativo em prosa e se trouxe conhecimento de outras áreas para desenvolver o tema. É nesta competência que entra o repertório: referências que você conecta ao tema de forma legítima e produtiva.
Uma dica que faz diferença: os textos motivadores são ponto de partida, não roteiro. Copiar trechos deles não conta como repertório. Use-os para entender o recorte do tema e busque argumentos seus.
Competência 3: selecionar e organizar argumentos em defesa de um ponto de vista
Esta competência avalia se os seus argumentos se conectam ao tema de forma precisa e, principalmente, coerente com a sua tese. Um argumento que contradiz o seu próprio ponto de vista pesa contra você. É aqui que aparece a ideia de projeto de texto: saber, antes de escrever, o que cada parágrafo vai defender.
Um caminho que funciona para muita gente é apresentar já na introdução o tema, a tese e os dois eixos de argumentação que serão desenvolvidos. Se quiser se aprofundar, temos um post sobre repertório produtivo e competência 3.
Competência 4: mecanismos linguísticos para construir a argumentação
Muita gente confunde esta competência com a primeira, mas o foco aqui é outro: a coesão. O corretor observa se as ideias estão bem amarradas, dentro dos parágrafos e entre eles. Períodos longos demais, palavras repetidas em pouco espaço e frases soltas, sem conectivos, costumam custar pontos.
Para melhorar, use conectivos variados para ligar os parágrafos e as ideias dentro deles, troque repetições por sinônimos ou pronomes e mantenha os parágrafos de desenvolvimento com tamanhos parecidos e mais de um período. O objetivo é que o leitor sinta a progressão das ideias sem esforço.
Competência 5: proposta de intervenção que respeite os direitos humanos
O ENEM quer ver que você reconhece um problema e consegue pensar em como enfrentá-lo. Por isso pede uma proposta de intervenção, que precisa respeitar os direitos humanos e ser completa. A Cartilha do Participante descreve cinco elementos: agente (quem vai fazer), ação (o que será feito), modo ou meio (como será feito), efeito ou finalidade (para quê) e detalhamento (uma informação a mais sobre um dos elementos).
Um cuidado simples: pesquise se o agente que você escolheu tem, de fato, a atribuição de fazer o que você propôs. Uma proposta bem articulada com o que você discutiu no texto vale mais do que uma proposta genérica.
Agora é praticar
Entender a cabeça do corretor é o primeiro passo. O segundo é escrever, receber correção e reescrever, de novo e de novo. É assim que essas competências deixam de ser teoria e viram hábito. Para revisar cada uma com mais calma, veja também o nosso guia completo das 5 competências.
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Fonte: Inep, A redação no Enem: Cartilha do Participante.


